Partidos em números: PP e PL


Gráficos e mapas para entender duas das principais legendas do Centrão
POR JOÃO COSTA E ANTONIO PILTCHER • 08/12/2020

Esta edição do Partido em Números traz uma comparação de duas legendas importantes do Centrão: o Progressistas (PP) e o Partido Liberal (PL).


Eleições 2020

O PP se destaca tanto em candidatos quanto em eleitos no Piauí e no Rio Grande do Sul, assim como na Bahia e em Santa Catarina em menor grau. Fora destes estados, o partido teve poucos candidatos e menos sucessos eleitorais.

O PL não concentrou um grande número de vitórias em nenhum estado, mas apresentou várias candidaturas no Pará e no Maranhão.

Como é de praxe na política brasileira, quase todos os partidos apoiaram o PP e o PL em pelo menos uma eleição, com exceção dos mais à esquerda e do partido Novo. Os maiores partidos do país — MDB, PSDB, PT, DEM — são os que mais apoiaram suas chapas.

Os laços dos 2 partidos com os outros grandes partidos do Centrão ficam mais explícitos nos números de chapas apoiadas pelo PP e PL. O PT, PDT e PSB perdem vez para MDB, PSDB, PSD e DEM. Os partidos são parecidos no perfil de coligações. No entanto, o PL apoia mais o PP que o contrário.

O estado com maior presença do PP nas câmaras municipais é o Rio Grande do Sul. A legenda lançou candidatos em quase todo município do estado e elegeu representantes em sua maioria. O Piauí, Santa Catarina e o Amazonas também concentraram tanto candidatos quanto eleitos do partido.

Já o PL teve candidatos na maioria dos municípios do Amapá, Maranhão, Santa Catarina e São Paulo. Fora desses estados, o partido apresentou candidatos em poucas cidades e elegeu menos vereadores.

Os representantes eleitos de ambos os partidos são poucos diversos tanto em relação a gênero quanto a raça. Homens brancos são o grupo mais eleito dos 2 partidos (47,8% do PP e 42,9% do PL). Apesar de uma proporção de candidaturas femininas maior, não houve equilíbrio de gênero nos resultados eleitorais; 15,7% dos eleitos do PP são mulheres e 16,4% do PL.


Financiamento

O tamanho e a força do PP ficam evidentes pelas altas porcentagens do Fundo Partidário que o partido recebeu historicamente. Mesmo com o decréscimo em 2019, o partido ainda está entre os que mais recebem dinheiro do TSE. Já o PL teve mais variações na quantidade de dinheiro público que recebeu ao longo dos anos, mas ainda figura entre os grandes recebedores. Hoje tem uma alocação de fundos similar à do PP.

Para as eleições de 2020, o PP recebeu R$140.669.215,02 e o PL R$117.621.670,45 do Fundo Eleitoral.


Filiados

O PP tem o quarto maior número de filiados no Brasil e quase o dobro de filiados do PL. Ambos os partidos crescem significativamente antes de eleições municipais, como é comum a quase todos os partidos, mas o PP teve também um crescimento antes das eleições gerais de 2018.

Ambos os partidos têm filiados mais velhos que a média dos partidos brasileiros e a maioria de seus filiados têm entre 35 e 59 anos. No entanto, os filiados ao PL são comparativamente mais jovens.

Os dois partidos seguem o mesmo padrão da maioria das legendas brasileiras; a proporção de mulheres cresce ano a ano, mas as filiadas ainda são minoria.

Apesar das semelhanças nos perfis dos filiados, a distribuição dos membros dos dois partidos é diferente. O PP tem uma presença de mais de 1.000 filiados a cada 100 mil eleitores em todo estado, exceto o Rio de Janeiro. Além disso, concentra forças nos estados da região Sul, e alguns estados na região Norte.

Em comparação, o PL passa de 1.000 filiados por 100 mil eleitores apenas no Mato Grosso e no Tocantins. O partido tem presença proporcional menor no Sudeste e Nordeste, concentrando mais filiados por eleitores no Norte e Centro Oeste.


Resultados em 2018

Pernambuco é o estado com a maior representação do PP no legislativo estadual, com mais de um quinto dos deputados pernambucanos sendo do partido. Essa presença só se compara à presença do Progressistas no Piauí e no Amazonas.

O PL não tem uma presença tão forte em nenhum estado. Em Roraima, um em cada 10 deputados estaduais eleitos em 2018 era do partido. A legenda também tem uma presença maior no Amazonas, Piauí e em Sergipe.

O PP elegeu deputados federais em quase todos os estados do Brasil. Proporcionalmente, representa mais piauienses. O Rio Grande do Sul e a região Norte são também focos de eleição de deputados do PP.

Enquanto isso, o PL elegeu mais deputados em estados do Norte e Nordeste proporcionalmente. Há apenas 5 estados onde o PL não elegeu deputados, mesmo número do PP.

O PP elegeu 6 senadores em 2018 e hoje tem 7 membros em exercício no Senado. O PL possui apenas 2 senadores. Nenhum dos partidos elegeu senadores no Sudeste.

O PL não elegeu nenhum governador em 2018, já o PP elegeu Gladson Cameli para o governo do Acre.


História

Assim como a maioria das outras legendas, tanto o PP quanto o PL surgiram no contexto da redemocratização com o realinhamento de forças políticas após o fim da ditadura. Ambos os partidos se enquadram no campo da direita e têm ligações à antiga Aliança Renovadora Nacional (ARENA), o partido governista da ditadura militar.

A ligação do PP à ARENA é de continuidade. Com a volta do pluripartidarismo em 1979, tanto a ARENA quanto o MDB foram dissolvidos e novas agremiações os substituíram. Assim como o PMDB sucedeu o MDB, a ARENA também teve um sucessor legal designado: o Partido Democrático Social (PDS).

Conservador e de direita, em seus primeiros anos o PDS reunia várias figuras que marcariam a política brasileira das décadas de 1980 e 1990 como José Sarney (até 1984), Fernando Collor (até 1985) e Paulo Maluf. Este último foi o candidato apresentado pelo partido nas eleições indiretas a presidente de 1985, nas quais Tancredo Neves foi escolhido presidente.

Com a vitória do MDB, o PDS passou a fazer oposição ao governo. Em 1989, Paulo Maluf terminou a corrida presidencial em quinto lugar e apoiou Fernando Collor no segundo turno. O partido passou a fazer parte da base de sustentação do presidente no Congresso, mas isso não impediu que parte de seus deputados votassem a favor do impedimento de Collor 2 anos depois.

Em 1993, 13 anos após sua fundação, o PDS incorporou o Partido Democrata Cristão e passou a se chamar Partido Progressista Reformador (PPR). O PPR durou apenas 2 anos como sucessor do PDS até que, em 1995 a legenda passou por uma nova fusão, desta vez com o Partido Progressista de Alvaro Dias, fundado em 1993. Unidos, os dois grupos adotam o nome Partido Progressista Brasileiro (PPB). Apesar dos nomes, ambos eram e continuaram sendo após a união, partidos conservadores e de direita.

O PPR fez oposição ao governo Itamar Franco e lançou Esperidião Amin como candidato à presidência em 1994. Apesar da derrota, o partido elegeu 3 governadores e 2 senadores, além de diversos deputados federais e estaduais. Já como PPB, o partido apoiou os 2 governos de Fernando Henrique Cardoso do PSDB. Em 2003, o partido mudou seu nome para Partido Progressista e em 2017 para apenas Progressistas, retendo a sigla.

O apoio a FHC começou a longa tradição exclusivamente governista do PP, tornando-lhe uma legenda característica do Centrão. Fez parte da base de sustentação no Congresso dos governos Lula (PT), Dilma (PT) (cujo impedimento depois apoiou) e Temer (MDB). Hoje, a bancada do PP na Câmara dos Deputados é liderada por Arthur Lira e apoia o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou a ser membro da legenda por quase 11 anos. O presidente atual do PP é Ciro Nogueira e seu número eleitoral é 11.

Diferente desta ligação de continuidade do PP, os laços do PL com a ARENA são menos fortes porém ainda evidentes. O fundador do Partido Liberal, Álvaro Valle, fora deputado federal fluminense pela ARENA e permaneceu como membro do PDS até 1984, quando houve o racha que levaria à criação do PFL. A passagem de Valle no PFL foi breve devido a discordâncias com suas lideranças, o que o levou a fundar em 1985 o Partido Liberal.

O PL se propunha a ser fiel a seu nome, defendendo o fortalecimento da iniciativa privada, a austeridade fiscal, o livre comércio e condenando a censura e o radicalismo político. Em seus primeiros anos, o partido promoveu escolas de formação política a seus membros e tinha apoio de empresários e profissionais liberais de classe média.

Após a eleição indireta de 1985, passou a apoiar o governo de José Sarney. Em 1989, lançou o deputado federal Guilherme Afif candidato a presidente. Afif perdeu e ficou em sexto lugar. Após votar a favor do impedimento de Collor, o partido negociou seu apoio a Itamar Franco, que concorrera ao governo de Minas Gerais pelo PL em 1986. Na eleição de 1994, o partido apoiou a chapa do tucano Fernando Henrique Cardoso. Dentro do Congresso, o PL se juntou à bancada liderada pelo PPB de Maluf.

O partido rompeu com FHC em 1998 e apostou em Ciro Gomes (então no PPS) para presidente, que terminou em terceiro lugar. Num movimento similar ao PP, a quem o partido passou a se aliar frequentemente, o PL apoiou a eleição de Lula em 2002 e conseguiu emplacar o vice-presidente José Alencar, então senador pelo partido. Nos primeiros anos da década de 2000, o partido passou por uma série de fusões. Em 2003, incorporou os nanicos de centro-esquerda Partido Geral dos Trabalhadores (PGT) e o Partido Social Trabalhista (PST). Em 2006 fundiu-se ao Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) de Enéas Carneiro, de extrema-direita, mudando o nome para Partido da República.

Essa série de fusões marcam o fim de um comprometimento do partido com o programa lançado em sua fundação. A legenda passa a ser uma característica integrante do Centrão, apoiando todos os presidentes desde Lula no Congresso. Atualmente, o PL (nome que voltou a usar em 2019) faz parte do bloco de Arthur Lira do PP na Câmara dos Deputados. Seu presidente é José Tadeu Candelária e seu número eleitoral é 22.


Dados utilizados na matéria: Filiados a partidos (Tribunal Superior Eleitoral); Resultados eleições 2018 (TSE/Cepespdata); Candidatos eleições 2020 (TSE); Resultados eleições 2020 (TSE); IGPM (cortesia de Fernando Meireles, pacote deflateBR).

Contribuiu com dados: Antonio Piltcher.

Créditos da imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado.

Para reproduzir os números citados, o código e os dados podem ser encontrados aqui.

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João Costa é repórter do Pindograma.

Antonio Piltcher é cientista de dados do Pindograma.

Partidos em números: PP e PL

Gráficos e mapas para entender duas das principais legendas do Centrão

POR JOÃO COSTA E ANTONIO PILTCHER

08/12/2020

Esta edição do Partido em Números traz uma comparação de duas legendas importantes do Centrão: o Progressistas (PP) e o Partido Liberal (PL).


Eleições 2020

O PP se destaca tanto em candidatos quanto em eleitos no Piauí e no Rio Grande do Sul, assim como na Bahia e em Santa Catarina em menor grau. Fora destes estados, o partido teve poucos candidatos e menos sucessos eleitorais.

O PL não concentrou um grande número de vitórias em nenhum estado, mas apresentou várias candidaturas no Pará e no Maranhão.

Como é de praxe na política brasileira, quase todos os partidos apoiaram o PP e o PL em pelo menos uma eleição, com exceção dos mais à esquerda e do partido Novo. Os maiores partidos do país — MDB, PSDB, PT, DEM — são os que mais apoiaram suas chapas.

Os laços dos 2 partidos com os outros grandes partidos do Centrão ficam mais explícitos nos números de chapas apoiadas pelo PP e PL. O PT, PDT e PSB perdem vez para MDB, PSDB, PSD e DEM. Os partidos são parecidos no perfil de coligações. No entanto, o PL apoia mais o PP que o contrário.

O estado com maior presença do PP nas câmaras municipais é o Rio Grande do Sul. A legenda lançou candidatos em quase todo município do estado e elegeu representantes em sua maioria. O Piauí, Santa Catarina e o Amazonas também concentraram tanto candidatos quanto eleitos do partido.

Já o PL teve candidatos na maioria dos municípios do Amapá, Maranhão, Santa Catarina e São Paulo. Fora desses estados, o partido apresentou candidatos em poucas cidades e elegeu menos vereadores.

Os representantes eleitos de ambos os partidos são poucos diversos tanto em relação a gênero quanto a raça. Homens brancos são o grupo mais eleito dos 2 partidos (47,8% do PP e 42,9% do PL). Apesar de uma proporção de candidaturas femininas maior, não houve equilíbrio de gênero nos resultados eleitorais; 15,7% dos eleitos do PP são mulheres e 16,4% do PL.


Financiamento

O tamanho e a força do PP ficam evidentes pelas altas porcentagens do Fundo Partidário que o partido recebeu historicamente. Mesmo com o decréscimo em 2019, o partido ainda está entre os que mais recebem dinheiro do TSE. Já o PL teve mais variações na quantidade de dinheiro público que recebeu ao longo dos anos, mas ainda figura entre os grandes recebedores. Hoje tem uma alocação de fundos similar à do PP.

Para as eleições de 2020, o PP recebeu R$140.669.215,02 e o PL R$117.621.670,45 do Fundo Eleitoral.


Filiados

O PP tem o quarto maior número de filiados no Brasil e quase o dobro de filiados do PL. Ambos os partidos crescem significativamente antes de eleições municipais, como é comum a quase todos os partidos, mas o PP teve também um crescimento antes das eleições gerais de 2018.

Ambos os partidos têm filiados mais velhos que a média dos partidos brasileiros e a maioria de seus filiados têm entre 35 e 59 anos. No entanto, os filiados ao PL são comparativamente mais jovens.

Os dois partidos seguem o mesmo padrão da maioria das legendas brasileiras; a proporção de mulheres cresce ano a ano, mas as filiadas ainda são minoria.

Apesar das semelhanças nos perfis dos filiados, a distribuição dos membros dos dois partidos é diferente. O PP tem uma presença de mais de 1.000 filiados a cada 100 mil eleitores em todo estado, exceto o Rio de Janeiro. Além disso, concentra forças nos estados da região Sul, e alguns estados na região Norte.

Em comparação, o PL passa de 1.000 filiados por 100 mil eleitores apenas no Mato Grosso e no Tocantins. O partido tem presença proporcional menor no Sudeste e Nordeste, concentrando mais filiados por eleitores no Norte e Centro Oeste.


Resultados em 2018

Pernambuco é o estado com a maior representação do PP no legislativo estadual, com mais de um quinto dos deputados pernambucanos sendo do partido. Essa presença só se compara à presença do Progressistas no Piauí e no Amazonas.

O PL não tem uma presença tão forte em nenhum estado. Em Roraima, um em cada 10 deputados estaduais eleitos em 2018 era do partido. A legenda também tem uma presença maior no Amazonas, Piauí e em Sergipe.

O PP elegeu deputados federais em quase todos os estados do Brasil. Proporcionalmente, representa mais piauienses. O Rio Grande do Sul e a região Norte são também focos de eleição de deputados do PP.

Enquanto isso, o PL elegeu mais deputados em estados do Norte e Nordeste proporcionalmente. Há apenas 5 estados onde o PL não elegeu deputados, mesmo número do PP.

O PP elegeu 6 senadores em 2018 e hoje tem 7 membros em exercício no Senado. O PL possui apenas 2 senadores. Nenhum dos partidos elegeu senadores no Sudeste.

O PL não elegeu nenhum governador em 2018, já o PP elegeu Gladson Cameli para o governo do Acre.


História

Assim como a maioria das outras legendas, tanto o PP quanto o PL surgiram no contexto da redemocratização com o realinhamento de forças políticas após o fim da ditadura. Ambos os partidos se enquadram no campo da direita e têm ligações à antiga Aliança Renovadora Nacional (ARENA), o partido governista da ditadura militar.

A ligação do PP à ARENA é de continuidade. Com a volta do pluripartidarismo em 1979, tanto a ARENA quanto o MDB foram dissolvidos e novas agremiações os substituíram. Assim como o PMDB sucedeu o MDB, a ARENA também teve um sucessor legal designado: o Partido Democrático Social (PDS).

Conservador e de direita, em seus primeiros anos o PDS reunia várias figuras que marcariam a política brasileira das décadas de 1980 e 1990 como José Sarney (até 1984), Fernando Collor (até 1985) e Paulo Maluf. Este último foi o candidato apresentado pelo partido nas eleições indiretas a presidente de 1985, nas quais Tancredo Neves foi escolhido presidente.

Com a vitória do MDB, o PDS passou a fazer oposição ao governo. Em 1989, Paulo Maluf terminou a corrida presidencial em quinto lugar e apoiou Fernando Collor no segundo turno. O partido passou a fazer parte da base de sustentação do presidente no Congresso, mas isso não impediu que parte de seus deputados votassem a favor do impedimento de Collor 2 anos depois.

Em 1993, 13 anos após sua fundação, o PDS incorporou o Partido Democrata Cristão e passou a se chamar Partido Progressista Reformador (PPR). O PPR durou apenas 2 anos como sucessor do PDS até que, em 1995 a legenda passou por uma nova fusão, desta vez com o Partido Progressista de Alvaro Dias, fundado em 1993. Unidos, os dois grupos adotam o nome Partido Progressista Brasileiro (PPB). Apesar dos nomes, ambos eram e continuaram sendo após a união, partidos conservadores e de direita.

O PPR fez oposição ao governo Itamar Franco e lançou Esperidião Amin como candidato à presidência em 1994. Apesar da derrota, o partido elegeu 3 governadores e 2 senadores, além de diversos deputados federais e estaduais. Já como PPB, o partido apoiou os 2 governos de Fernando Henrique Cardoso do PSDB. Em 2003, o partido mudou seu nome para Partido Progressista e em 2017 para apenas Progressistas, retendo a sigla.

O apoio a FHC começou a longa tradição exclusivamente governista do PP, tornando-lhe uma legenda característica do Centrão. Fez parte da base de sustentação no Congresso dos governos Lula (PT), Dilma (PT) (cujo impedimento depois apoiou) e Temer (MDB). Hoje, a bancada do PP na Câmara dos Deputados é liderada por Arthur Lira e apoia o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou a ser membro da legenda por quase 11 anos. O presidente atual do PP é Ciro Nogueira e seu número eleitoral é 11.

Diferente desta ligação de continuidade do PP, os laços do PL com a ARENA são menos fortes porém ainda evidentes. O fundador do Partido Liberal, Álvaro Valle, fora deputado federal fluminense pela ARENA e permaneceu como membro do PDS até 1984, quando houve o racha que levaria à criação do PFL. A passagem de Valle no PFL foi breve devido a discordâncias com suas lideranças, o que o levou a fundar em 1985 o Partido Liberal.

O PL se propunha a ser fiel a seu nome, defendendo o fortalecimento da iniciativa privada, a austeridade fiscal, o livre comércio e condenando a censura e o radicalismo político. Em seus primeiros anos, o partido promoveu escolas de formação política a seus membros e tinha apoio de empresários e profissionais liberais de classe média.

Após a eleição indireta de 1985, passou a apoiar o governo de José Sarney. Em 1989, lançou o deputado federal Guilherme Afif candidato a presidente. Afif perdeu e ficou em sexto lugar. Após votar a favor do impedimento de Collor, o partido negociou seu apoio a Itamar Franco, que concorrera ao governo de Minas Gerais pelo PL em 1986. Na eleição de 1994, o partido apoiou a chapa do tucano Fernando Henrique Cardoso. Dentro do Congresso, o PL se juntou à bancada liderada pelo PPB de Maluf.

O partido rompeu com FHC em 1998 e apostou em Ciro Gomes (então no PPS) para presidente, que terminou em terceiro lugar. Num movimento similar ao PP, a quem o partido passou a se aliar frequentemente, o PL apoiou a eleição de Lula em 2002 e conseguiu emplacar o vice-presidente José Alencar, então senador pelo partido. Nos primeiros anos da década de 2000, o partido passou por uma série de fusões. Em 2003, incorporou os nanicos de centro-esquerda Partido Geral dos Trabalhadores (PGT) e o Partido Social Trabalhista (PST). Em 2006 fundiu-se ao Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) de Enéas Carneiro, de extrema-direita, mudando o nome para Partido da República.

Essa série de fusões marcam o fim de um comprometimento do partido com o programa lançado em sua fundação. A legenda passa a ser uma característica integrante do Centrão, apoiando todos os presidentes desde Lula no Congresso. Atualmente, o PL (nome que voltou a usar em 2019) faz parte do bloco de Arthur Lira do PP na Câmara dos Deputados. Seu presidente é José Tadeu Candelária e seu número eleitoral é 22.


Dados utilizados na matéria: Filiados a partidos (Tribunal Superior Eleitoral); Resultados eleições 2018 (TSE/Cepespdata); Candidatos eleições 2020 (TSE); Resultados eleições 2020 (TSE); IGPM (cortesia de Fernando Meireles, pacote deflateBR).

Contribuiu com dados: Antonio Piltcher.

Créditos da imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado.

Para reproduzir os números citados, o código e os dados podem ser encontrados aqui.

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João Costa

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é cientista de dados do Pindograma.

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