Democratas e Republicanos: uma comparação pelos dados


Gráficos e mapas para entender os partidos nas eleições de 2020
POR JOÃO COSTA • 03/11/2020

Em 2020, novembro é o mês das eleições, e não são só os brasileiros que vão às urnas. Nos Estados Unidos, a população também votará, escolhendo o próximo presidente do país. A mídia brasileira tem dado a devida atenção à corrida pela Casa Branca, e muito tem se falado sobre Republicanos e Democratas. Isso pode ter deixado muitos brasileiros se perguntando se realmente conhecem os dois partidos. Eles são liberais ou conservadores? Governo ou oposição? Estão na Câmara? E no Senado? Quem são os Republicanos e Democratas de que tanto falam?

Para a sorte de nossos leitores, o Pindograma já está preparado para responder a essas perguntas… mas não sobre os partidos estadunidenses. Afinal, já temos nossos próprios Republicanos e Democratas no Congresso Nacional. Será que eles são tão diferentes entre si quanto os partidos de Donald Trump e Joe Biden? Confira nessa edição especial do Partidos em Números sobre o Republicanos e o Democratas.


História

Apesar da alcunha de Grand Old Party (‘Grande Velho Partido’), o partido Republicano estadunidense foi fundado depois do partido Democrata. No Brasil, o Democratas também tem uma história mais antiga que o Republicanos.

A origem do DEM está ligada à primeira eleição presidencial depois do fim da ditadura, que ainda foi indireta. O PDS — partido formado por antigos membros da ARENA, partido governista da ditadura — lançara Paulo Maluf como candidato a presidente, com o apoio do último ditador do regime, João Figueiredo. O nome de Maluf não era consenso no partido e levou à formação de uma dissidência: a Frente Liberal. Como o nome sugere, a legenda colocou em seu primeiro programa a defesa do liberalismo econômico. O partido de Joe Biden também é tido como liberal nos Estados Unidos, mas lá o termo é usado para se referir a progressistas.

A Frente Liberal logo se tornou um partido, conhecido pela sigla PFL. Na eleição de 1987, o partido compôs a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados e, mais tarde, seria um dos principais aliados do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no Congresso. Quando seus aliados do PSDB perderam a eleição em 2002, o PFL manteve a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados, ficando à frente do PMDB mas atrás do PT, a quem fez oposição.

Em 2007, a legenda decidiu mudar seu nome para Democratas. Pouco depois, em 2011, uma dissidência do partido levou à fundação do PSD, o que enfraqueceu a posição do DEM no cenário nacional. Atualmente, o DEM é um importante aliado do governo Bolsonaro e tem em seus quadros tanto o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, quanto o do Senado, Davi Alcolumbre. O presidente da legenda é o atual prefeito de Salvador, ACM Neto.

Já o Republicanos tem origem mais recente. Fundado inicialmente como Partido Municipalista Renovador em 2003, o partido recebeu seu registro no TSE em 2005 e logo mudou o nome para Partido Republicano Brasileiro. Uma das figuras importantes do início do partido foi o vice-presidente de Lula (PT), José Alencar – até então filiado ao Partido Liberal (PL). O partido permaneceu na base aliada do PT até o impedimento de Dilma Rousseff, quando parte do PRB votou a favor do afastamento da presidente.

Desde seu início, o partido foi ligado a figuras da Igreja Universal do Reino de Deus; o atual presidente do partido, o deputado federal Marcos Pereira, é bispo da igreja. O partido se define como conservador e defensor dos valores cristãos, algo que está em linha com a típica base eleitoral do partido de Donald Trump. Em 2019, o partido mudou seu nome para Republicanos. Tem entre seus quadros o candidato à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, e o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. É aliado do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), com quem Donald Trump simpatiza.


Filiados

Diferente de seus equivalentes estadunidenses, apenas o Democratas pode ser considerado um partido grande, tendo mais de 1 milhão de filiados. A perda de filiados a partir de 2011 está ligada à fundação do PSD, uma dissidência do partido fundada naquele ano por Gilberto Kassab. Após a dissidência, o Democratas parece ter estabilizado seu número de filiados, seguindo um padrão comum a outros partidos tradicionais que aumentam apenas em anos de eleições municipais. O Republicanos, por outro lado, é um partido médio que registra grande crescimento, especialmente intenso em 2012 e 2016, mas ainda presente em outros anos.

Em termos de idade, os partidos invertem os padrões norte americanos, onde Biden lidera com folga as pesquisas entre jovens. Mesmo considerando o envelhecimento geral dos partidos brasileiros, os filiados ao DEM sempre foram mais velhos que os do Republicanos, sendo que a grande maioria do partido tem mais de 45 anos. Já o Republicanos tem três vezes mais filiados com menos de 34 anos do que o DEM e uma base mais jovem que a média nacional.

Mais uma vez, o Democratas se mostra um partido mais tradicional que o Republicanos, tendo uma maioria masculina mas aproximando-se do equilíbrio a cada ano. O Republicanos, em contrapartida, é um de apenas dois partidos brasileiros majoritariamente femininos — o outro é o Partido da Mulher Brasileira (PMB). Por esse motivo, a tendência no partido é o crescimento da representação masculina, em direção a um equilíbrio entre os sexos.

Enquanto o Meio-Oeste estadunidense vota no partido de Donald Trump, o DEM domina o Centro-Oeste brasileiro, tendo a sua maior proporção de filiados no Mato Grosso, com 2.196 a cada 100 mil eleitores. Santa Catarina e Tocantins também se destacam. Enquanto isso, o Republicanos tem concentrações menores de filiados por ser um partido menor. As taxas mais altas de filiação ao partido, como no Amazonas, seriam consideradas taxas médias para o DEM. Fora da região, o Republicanos destaca-se no Mato Grosso do Sul. O Sul e o Sudeste têm os menores números proporcionais de filiados ao partido.


Financiamento

Os gráficos do Fundo Partidário revelam as diferentes trajetórias dos dois partidos. O DEM era um dos maiores partidos do país até a onda de desfiliações e dissidências iniciada em 2011, custando-lhe o posto de segundo maior beneficiário do Fundo Partidário. Já o Republicanos teve um ritmo de crescimento constante, saindo dos patamares mais baixos para os mais altos, recebendo até mais do que o DEM em 2019.

Em contraste com as campanhas bilionárias dos Estados Unidos, o Democratas e o Republicanos brasileiros receberam, respectivamente, R$ 120 milhões e R$ 100 milhões pelo Fundo Eleitoral de 2020.


Eleições 2020

A diferença de capilaridade dos dois partidos fica evidente nestes mapas. Mesmo com pouca presença em alguns estados como o Piauí e o Pará, o DEM apresenta candidatos por todo o país, especialmente no Centro-Oeste e no Tocantins. O Republicanos é mais limitado em seu alcance.

Republicanos e Democratas no Brasil não têm problema de apoiarem as candidaturas uns dos outros –– coisa impensável para os estadunidenses. Inclusive, ambos os partidos coligaram-se também com a grande maioria dos outros partidos brasileiros. Suas chapas receberam apoio de quase todos os partidos. A diferença entre os dois está na quantidade: o DEM lançou 1.113 candidatos próprios, enquanto o Republicanos lançou apenas 818.

Quando se trata de dar apoio, a história muda um pouco, pois a preferência é dada a grandes partidos como o MDB, PSDB, PP e PSD. No total, o DEM apoia 1.795 chapas e o Republicanos, 1.454.

A força do DEM no Centro-Oeste fica clara no mapa de vereadores, assim como a presença constante do partido na maior parte do território nacional. Os estados do Nordeste chamam atenção por terem poucos municípios com candidatos do Democratas, com exceção da Bahia e do Maranhão. Para o Republicanos, o Norte e o Sudeste são regiões de maior força do partido, com exceção dos estados do Acre e de Minas Gerais. A presença é mais modesta no resto do país.

Apesar de ter quase o mesmo número de filiadas que filiados, essa equidade de gênero não reflete as candidaturas do Republicanos. No partido, apenas uma em cada três das candidaturas são femininas, proporção similar à do DEM. Ambos os partidos, porém, têm menos candidaturas de brancos que de outras raças juntas.


Resultados em 2018

O Republicanos marca presença em quase todas as Assembleias Legislativas do país, ficando fora em apenas 4 estados. Já o DEM fica fora de 6 estados, mas é bem forte na Bahia, em Goiás e no Maranhão.

Tratando-se do Congresso Nacional, o melhor resultado do DEM foi no Tocantins. Estados do Centro-Oeste também elegeram muitos deputados do partido, embora o Mato Grosso não tenha eleito nenhum. O partido não teve eleitos em 11 estados, principalmente no Norte e no Nordeste. Já o Republicanos mostrou que é uma força eleitoral no Norte do país, especialmente no Amazonas. Novamente, Brasília contradiz Washington e os democratas têm menos congressistas que os republicanos.

Na contramão dos Estados Unidos mais uma vez, o Democratas é mais forte no Senado que o Republicanos. O DEM elegeu 7 senadores para ocupar o cargo nesta legislatura, enquanto o Republicanos só conseguiu eleger um candidato. No entanto, hoje apenas 5 senadores em exercício do mandato são do DEM, e 3 do Republicanos.

Em vez de dividirem o país ao meio como acontece nos Estados Unidos, DEM e Republicanos competiram com vários outros partidos pelas 27 unidades federativas do Brasil. O Democratas elegeu dois representantes no Centro-Oeste, em Goiás e no Mato Grosso. Já o Republicanos não lançou nenhuma candidatura própria — algo impensável nos Estados Unidos —, mas elegeu um vice-governador no Maranhão.


Dados utilizados na matéria: Filiados a partidos (Tribunal Superior Eleitoral); Resultados eleições 2018 (TSE/Cepespdata); Candidatos eleições 2020 (TSE); IGPM (cortesia de Fernando Meireles, pacote deflateBR).

Contribuiu com dados: Antonio Piltcher.

Créditos da imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado; Gage Skidmore/WikiMedia; Michael Vadon/WikiMedia.

Para reproduzir os números citados, o código e os dados podem ser encontrados aqui.

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João Costa é repórter do Pindograma.

Democratas e Republicanos: uma comparação pelos dados

Gráficos e mapas para entender os partidos nas eleições de 2020

POR JOÃO COSTA

03/11/2020

Em 2020, novembro é o mês das eleições, e não são só os brasileiros que vão às urnas. Nos Estados Unidos, a população também votará, escolhendo o próximo presidente do país. A mídia brasileira tem dado a devida atenção à corrida pela Casa Branca, e muito tem se falado sobre Republicanos e Democratas. Isso pode ter deixado muitos brasileiros se perguntando se realmente conhecem os dois partidos. Eles são liberais ou conservadores? Governo ou oposição? Estão na Câmara? E no Senado? Quem são os Republicanos e Democratas de que tanto falam?

Para a sorte de nossos leitores, o Pindograma já está preparado para responder a essas perguntas… mas não sobre os partidos estadunidenses. Afinal, já temos nossos próprios Republicanos e Democratas no Congresso Nacional. Será que eles são tão diferentes entre si quanto os partidos de Donald Trump e Joe Biden? Confira nessa edição especial do Partidos em Números sobre o Republicanos e o Democratas.


História

Apesar da alcunha de Grand Old Party (‘Grande Velho Partido’), o partido Republicano estadunidense foi fundado depois do partido Democrata. No Brasil, o Democratas também tem uma história mais antiga que o Republicanos.

A origem do DEM está ligada à primeira eleição presidencial depois do fim da ditadura, que ainda foi indireta. O PDS — partido formado por antigos membros da ARENA, partido governista da ditadura — lançara Paulo Maluf como candidato a presidente, com o apoio do último ditador do regime, João Figueiredo. O nome de Maluf não era consenso no partido e levou à formação de uma dissidência: a Frente Liberal. Como o nome sugere, a legenda colocou em seu primeiro programa a defesa do liberalismo econômico. O partido de Joe Biden também é tido como liberal nos Estados Unidos, mas lá o termo é usado para se referir a progressistas.

A Frente Liberal logo se tornou um partido, conhecido pela sigla PFL. Na eleição de 1987, o partido compôs a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados e, mais tarde, seria um dos principais aliados do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no Congresso. Quando seus aliados do PSDB perderam a eleição em 2002, o PFL manteve a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados, ficando à frente do PMDB mas atrás do PT, a quem fez oposição.

Em 2007, a legenda decidiu mudar seu nome para Democratas. Pouco depois, em 2011, uma dissidência do partido levou à fundação do PSD, o que enfraqueceu a posição do DEM no cenário nacional. Atualmente, o DEM é um importante aliado do governo Bolsonaro e tem em seus quadros tanto o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, quanto o do Senado, Davi Alcolumbre. O presidente da legenda é o atual prefeito de Salvador, ACM Neto.

Já o Republicanos tem origem mais recente. Fundado inicialmente como Partido Municipalista Renovador em 2003, o partido recebeu seu registro no TSE em 2005 e logo mudou o nome para Partido Republicano Brasileiro. Uma das figuras importantes do início do partido foi o vice-presidente de Lula (PT), José Alencar – até então filiado ao Partido Liberal (PL). O partido permaneceu na base aliada do PT até o impedimento de Dilma Rousseff, quando parte do PRB votou a favor do afastamento da presidente.

Desde seu início, o partido foi ligado a figuras da Igreja Universal do Reino de Deus; o atual presidente do partido, o deputado federal Marcos Pereira, é bispo da igreja. O partido se define como conservador e defensor dos valores cristãos, algo que está em linha com a típica base eleitoral do partido de Donald Trump. Em 2019, o partido mudou seu nome para Republicanos. Tem entre seus quadros o candidato à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, e o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. É aliado do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), com quem Donald Trump simpatiza.


Filiados

Diferente de seus equivalentes estadunidenses, apenas o Democratas pode ser considerado um partido grande, tendo mais de 1 milhão de filiados. A perda de filiados a partir de 2011 está ligada à fundação do PSD, uma dissidência do partido fundada naquele ano por Gilberto Kassab. Após a dissidência, o Democratas parece ter estabilizado seu número de filiados, seguindo um padrão comum a outros partidos tradicionais que aumentam apenas em anos de eleições municipais. O Republicanos, por outro lado, é um partido médio que registra grande crescimento, especialmente intenso em 2012 e 2016, mas ainda presente em outros anos.

Em termos de idade, os partidos invertem os padrões norte americanos, onde Biden lidera com folga as pesquisas entre jovens. Mesmo considerando o envelhecimento geral dos partidos brasileiros, os filiados ao DEM sempre foram mais velhos que os do Republicanos, sendo que a grande maioria do partido tem mais de 45 anos. Já o Republicanos tem três vezes mais filiados com menos de 34 anos do que o DEM e uma base mais jovem que a média nacional.

Mais uma vez, o Democratas se mostra um partido mais tradicional que o Republicanos, tendo uma maioria masculina mas aproximando-se do equilíbrio a cada ano. O Republicanos, em contrapartida, é um de apenas dois partidos brasileiros majoritariamente femininos — o outro é o Partido da Mulher Brasileira (PMB). Por esse motivo, a tendência no partido é o crescimento da representação masculina, em direção a um equilíbrio entre os sexos.

Enquanto o Meio-Oeste estadunidense vota no partido de Donald Trump, o DEM domina o Centro-Oeste brasileiro, tendo a sua maior proporção de filiados no Mato Grosso, com 2.196 a cada 100 mil eleitores. Santa Catarina e Tocantins também se destacam. Enquanto isso, o Republicanos tem concentrações menores de filiados por ser um partido menor. As taxas mais altas de filiação ao partido, como no Amazonas, seriam consideradas taxas médias para o DEM. Fora da região, o Republicanos destaca-se no Mato Grosso do Sul. O Sul e o Sudeste têm os menores números proporcionais de filiados ao partido.


Financiamento

Os gráficos do Fundo Partidário revelam as diferentes trajetórias dos dois partidos. O DEM era um dos maiores partidos do país até a onda de desfiliações e dissidências iniciada em 2011, custando-lhe o posto de segundo maior beneficiário do Fundo Partidário. Já o Republicanos teve um ritmo de crescimento constante, saindo dos patamares mais baixos para os mais altos, recebendo até mais do que o DEM em 2019.

Em contraste com as campanhas bilionárias dos Estados Unidos, o Democratas e o Republicanos brasileiros receberam, respectivamente, R$ 120 milhões e R$ 100 milhões pelo Fundo Eleitoral de 2020.


Eleições 2020

A diferença de capilaridade dos dois partidos fica evidente nestes mapas. Mesmo com pouca presença em alguns estados como o Piauí e o Pará, o DEM apresenta candidatos por todo o país, especialmente no Centro-Oeste e no Tocantins. O Republicanos é mais limitado em seu alcance.

Republicanos e Democratas no Brasil não têm problema de apoiarem as candidaturas uns dos outros –– coisa impensável para os estadunidenses. Inclusive, ambos os partidos coligaram-se também com a grande maioria dos outros partidos brasileiros. Suas chapas receberam apoio de quase todos os partidos. A diferença entre os dois está na quantidade: o DEM lançou 1.113 candidatos próprios, enquanto o Republicanos lançou apenas 818.

Quando se trata de dar apoio, a história muda um pouco, pois a preferência é dada a grandes partidos como o MDB, PSDB, PP e PSD. No total, o DEM apoia 1.795 chapas e o Republicanos, 1.454.

A força do DEM no Centro-Oeste fica clara no mapa de vereadores, assim como a presença constante do partido na maior parte do território nacional. Os estados do Nordeste chamam atenção por terem poucos municípios com candidatos do Democratas, com exceção da Bahia e do Maranhão. Para o Republicanos, o Norte e o Sudeste são regiões de maior força do partido, com exceção dos estados do Acre e de Minas Gerais. A presença é mais modesta no resto do país.

Apesar de ter quase o mesmo número de filiadas que filiados, essa equidade de gênero não reflete as candidaturas do Republicanos. No partido, apenas uma em cada três das candidaturas são femininas, proporção similar à do DEM. Ambos os partidos, porém, têm menos candidaturas de brancos que de outras raças juntas.


Resultados em 2018

O Republicanos marca presença em quase todas as Assembleias Legislativas do país, ficando fora em apenas 4 estados. Já o DEM fica fora de 6 estados, mas é bem forte na Bahia, em Goiás e no Maranhão.

Tratando-se do Congresso Nacional, o melhor resultado do DEM foi no Tocantins. Estados do Centro-Oeste também elegeram muitos deputados do partido, embora o Mato Grosso não tenha eleito nenhum. O partido não teve eleitos em 11 estados, principalmente no Norte e no Nordeste. Já o Republicanos mostrou que é uma força eleitoral no Norte do país, especialmente no Amazonas. Novamente, Brasília contradiz Washington e os democratas têm menos congressistas que os republicanos.

Na contramão dos Estados Unidos mais uma vez, o Democratas é mais forte no Senado que o Republicanos. O DEM elegeu 7 senadores para ocupar o cargo nesta legislatura, enquanto o Republicanos só conseguiu eleger um candidato. No entanto, hoje apenas 5 senadores em exercício do mandato são do DEM, e 3 do Republicanos.

Em vez de dividirem o país ao meio como acontece nos Estados Unidos, DEM e Republicanos competiram com vários outros partidos pelas 27 unidades federativas do Brasil. O Democratas elegeu dois representantes no Centro-Oeste, em Goiás e no Mato Grosso. Já o Republicanos não lançou nenhuma candidatura própria — algo impensável nos Estados Unidos —, mas elegeu um vice-governador no Maranhão.


Dados utilizados na matéria: Filiados a partidos (Tribunal Superior Eleitoral); Resultados eleições 2018 (TSE/Cepespdata); Candidatos eleições 2020 (TSE); IGPM (cortesia de Fernando Meireles, pacote deflateBR).

Contribuiu com dados: Antonio Piltcher.

Créditos da imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado; Gage Skidmore/WikiMedia; Michael Vadon/WikiMedia.

Para reproduzir os números citados, o código e os dados podem ser encontrados aqui.

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