Partidos em números: PSOL


Gráficos e mapas para entender como o partido brasileiro de base mais jovem chega nas eleições de 2020
POR JOÃO COSTA • 06/11/2020

A série Partidos em Números continua com um partido que busca firmar seu lugar na esquerda brasileira: o Partido Socialismo e Liberdade.


Eleições 2020

O PSOL tem candidaturas em apenas 347 municípios. Com algumas exceções, o partido é principalmente urbano. São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia são os estados com mais candidatos a prefeito do partido.

O partido é ideológico em suas coligações, algo incomum na política brasileira. Recebe apoio de apenas 8 partidos para 51 de seus 347 candidatos. Os destaques são o PCB e o PT, seguidos pela UP e o PC do B. Os únicos partidos de esquerda que não apoiam candidaturas do PSOL este ano são o PCO e o PSTU. Outros partidos de centro-esquerda como o PDT, PSB e Rede têm pouquíssima presença nas coligações do PSOL.

As 93 chapas que o PSOL apoia são um pouco menos ideológicas que os partidos dos quais aceita apoio e incluem até alguns do centrão, como PL, PP e PSD. O principal aliado ainda é o PT e outros partidos de esquerda recebem menos apoio.

A distribuição de candidatos à vereança do partido é similar ao mapa acima para as prefeituras. Cidades maiores são o foco do partido, em especial as capitais. Em Roraima só há candidatos na capital Boa Vista.

A diversidade racial das candidaturas pessolistas chama atenção. Apenas 38,2% dos candidatos são brancos e 60,2% são pretos ou pardos. No entanto, o partido ainda não apresenta um equilíbrio de gênero –– mulheres são apenas 36,3% das candidatas, apesar de comporem mais de 47% do partido.


Financiamento

O PSOL é um partido pequeno, e isso fica evidente na quantidade de dinheiro que a legenda recebe do Fundo Partidário. O partido tem crescido nos últimos anos e em 2018 elegeu sua maior bancada no Congresso (10 deputados), aumentando suas verbas para o ano seguinte.

Para as campanhas de 2020, o PSOL recebeu também R$40.634.516,50 do Fundo Eleitoral.


Filiados

Desde 2008, o PSOL cresceu progressivamente, padrão que se reforça antes de eleições. O partido caminha para ser um partido médio, mas ainda está no grupo das agremiações com um número pequeno de filiados.

O PSOL é o partido mais jovem do Brasil (desconsiderando a recém-fundada Unidade Popular, que ainda não participou de nenhuma eleição). Mais da metade dos filiados ao PSOL têm menos de 45 anos e um em cada três pessolistas tem até 34 anos.

Apesar do PSOL ainda ter maioria masculina, a diferença de gênero de seus filiados vem diminuindo a cada biênio, mais que em partidos maiores e mais tradicionais.

Proporcionalmente ao número de eleitores por estado, o Amapá tem o maior número de filiados ao PSOL: 2.198 a cada 100 mil eleitores. O Pará, o Acre, o Distrito Federal e o Rio Grande do Norte também se destacam neste mapa. No entanto, em números absolutos, o PSOL é mais forte em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia.


Resultados em 2018

A presença do partido nas Assembleias Legislativas é mais forte no Rio de Janeiro, São Paulo, Amapá, Distrito Federal e Rio Grande do Norte. Além destes, o PSOL tem deputados em mais 6 estados, mas está fora do Legislativo na maior parte da Federação, sem representantes em 16 estados.

A concentração do PSOL no Sudeste fica clara neste mapa. Apenas no Pará e no Rio Grande do Sul o partido elegeu deputados fora da região. O Rio de Janeiro é o estado que mais elegeu pessolistas proporcionalmente, um grande feito considerando que a bancada fluminense é a terceira maior do Congresso.

O PSOL nunca elegeu nenhum governador e não há nenhum senador filiado ao partido em 2020, por isso não incluímos os mapas aqui como já é tradição na série.


História

O PSOL faz parte de um grupo de partidos fundados mais recentemente na história política brasileira, recebendo seu registro definitivo no Tribunal Superior Eleitoral em 2005. A legenda surgiu em meio a discordâncias de um grupo de parlamentares do Partido dos Trabalhadores com decisões tomadas pela direção partidária nos primeiros anos da presidência de Lula, que teve início em 2003.

Ainda antes da eleição de 2002, um grupo de petistas liderado pela então senadora alagoana Heloísa Helena criticou a escolha de José Alencar, então do PL, para ser vice de Lula, vendo a escolha como uma desvirtuação da linha ideológica do partido. Mesmo com a vitória nas eleições, as tensões dentro do PT cresceram. Seguindo o exemplo da senadora, outros parlamentares — o sergipano João Fontes, o paraense João Batista Araújo, o Babá, e a gaúcha Luciana Genro — também passaram a criticar medidas do governo abertamente. Dentre as escolhas mais polêmicas estavam a indicação do então tucano Henrique Meirelles à presidência do Banco Central, o apoio ao peemedebista José Sarney à presidência do Senado e a privatização de bancos estaduais.

As divergências foram tantas que em dezembro de 2003, o diretório nacional do PT expulsou Heloísa Helena, Babá, Genro e Fontes do partido após eles terem votado contra a orientação da legenda na votação de uma reforma da previdência. Na época, os parlamentares receberam apoio de diversos intelectuais de esquerda e de segmentos da militância petista insatisfeitos com o governo. No ano seguinte, o grupo fundou em Brasília o Partido Socialismo e Liberdade, ou PSOL.

Desde então, o partido sempre lançou candidatos a presidente e sua corrida de maior sucesso foi a primeira, em 2006, quando Heloísa Helena ficou em terceiro lugar com 6,85% dos votos. O partido se colocava como uma oposição à esquerda dos governos petistas, mas foi contra o impedimento de Dilma Rousseff e a prisão de Lula. Atualmente, o partido é presidido por Juliano Medeiros. Nas eleições de 2020, o candidato do PSOL à prefeitura de Belém do Pará Edmilson Rodrigues lidera as intenções de voto. Já em São Paulo, o candidato à presidência em 2018, Guilherme Boulos, concorre à prefeitura, com chances de chegar ao segundo turno.


Dados utilizados na matéria: Filiados a partidos (Tribunal Superior Eleitoral); Resultados eleições 2018 (TSE/Cepespdata); Candidatos eleições 2020 (TSE); IGPM (cortesia de Fernando Meireles, pacote deflateBR).

Contribuiu com dados: Antonio Piltcher.

Créditos da imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado.

Para reproduzir os números citados, o código e os dados podem ser encontrados aqui.

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João Costa é repórter do Pindograma.

Partidos em números: PSOL

Gráficos e mapas para entender como o partido brasileiro de base mais jovem chega nas eleições de 2020

POR JOÃO COSTA

06/11/2020

A série Partidos em Números continua com um partido que busca firmar seu lugar na esquerda brasileira: o Partido Socialismo e Liberdade.


Eleições 2020

O PSOL tem candidaturas em apenas 347 municípios. Com algumas exceções, o partido é principalmente urbano. São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia são os estados com mais candidatos a prefeito do partido.

O partido é ideológico em suas coligações, algo incomum na política brasileira. Recebe apoio de apenas 8 partidos para 51 de seus 347 candidatos. Os destaques são o PCB e o PT, seguidos pela UP e o PC do B. Os únicos partidos de esquerda que não apoiam candidaturas do PSOL este ano são o PCO e o PSTU. Outros partidos de centro-esquerda como o PDT, PSB e Rede têm pouquíssima presença nas coligações do PSOL.

As 93 chapas que o PSOL apoia são um pouco menos ideológicas que os partidos dos quais aceita apoio e incluem até alguns do centrão, como PL, PP e PSD. O principal aliado ainda é o PT e outros partidos de esquerda recebem menos apoio.

A distribuição de candidatos à vereança do partido é similar ao mapa acima para as prefeituras. Cidades maiores são o foco do partido, em especial as capitais. Em Roraima só há candidatos na capital Boa Vista.

A diversidade racial das candidaturas pessolistas chama atenção. Apenas 38,2% dos candidatos são brancos e 60,2% são pretos ou pardos. No entanto, o partido ainda não apresenta um equilíbrio de gênero –– mulheres são apenas 36,3% das candidatas, apesar de comporem mais de 47% do partido.


Financiamento

O PSOL é um partido pequeno, e isso fica evidente na quantidade de dinheiro que a legenda recebe do Fundo Partidário. O partido tem crescido nos últimos anos e em 2018 elegeu sua maior bancada no Congresso (10 deputados), aumentando suas verbas para o ano seguinte.

Para as campanhas de 2020, o PSOL recebeu também R$40.634.516,50 do Fundo Eleitoral.


Filiados

Desde 2008, o PSOL cresceu progressivamente, padrão que se reforça antes de eleições. O partido caminha para ser um partido médio, mas ainda está no grupo das agremiações com um número pequeno de filiados.

O PSOL é o partido mais jovem do Brasil (desconsiderando a recém-fundada Unidade Popular, que ainda não participou de nenhuma eleição). Mais da metade dos filiados ao PSOL têm menos de 45 anos e um em cada três pessolistas tem até 34 anos.

Apesar do PSOL ainda ter maioria masculina, a diferença de gênero de seus filiados vem diminuindo a cada biênio, mais que em partidos maiores e mais tradicionais.

Proporcionalmente ao número de eleitores por estado, o Amapá tem o maior número de filiados ao PSOL: 2.198 a cada 100 mil eleitores. O Pará, o Acre, o Distrito Federal e o Rio Grande do Norte também se destacam neste mapa. No entanto, em números absolutos, o PSOL é mais forte em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia.


Resultados em 2018

A presença do partido nas Assembleias Legislativas é mais forte no Rio de Janeiro, São Paulo, Amapá, Distrito Federal e Rio Grande do Norte. Além destes, o PSOL tem deputados em mais 6 estados, mas está fora do Legislativo na maior parte da Federação, sem representantes em 16 estados.

A concentração do PSOL no Sudeste fica clara neste mapa. Apenas no Pará e no Rio Grande do Sul o partido elegeu deputados fora da região. O Rio de Janeiro é o estado que mais elegeu pessolistas proporcionalmente, um grande feito considerando que a bancada fluminense é a terceira maior do Congresso.

O PSOL nunca elegeu nenhum governador e não há nenhum senador filiado ao partido em 2020, por isso não incluímos os mapas aqui como já é tradição na série.


História

O PSOL faz parte de um grupo de partidos fundados mais recentemente na história política brasileira, recebendo seu registro definitivo no Tribunal Superior Eleitoral em 2005. A legenda surgiu em meio a discordâncias de um grupo de parlamentares do Partido dos Trabalhadores com decisões tomadas pela direção partidária nos primeiros anos da presidência de Lula, que teve início em 2003.

Ainda antes da eleição de 2002, um grupo de petistas liderado pela então senadora alagoana Heloísa Helena criticou a escolha de José Alencar, então do PL, para ser vice de Lula, vendo a escolha como uma desvirtuação da linha ideológica do partido. Mesmo com a vitória nas eleições, as tensões dentro do PT cresceram. Seguindo o exemplo da senadora, outros parlamentares — o sergipano João Fontes, o paraense João Batista Araújo, o Babá, e a gaúcha Luciana Genro — também passaram a criticar medidas do governo abertamente. Dentre as escolhas mais polêmicas estavam a indicação do então tucano Henrique Meirelles à presidência do Banco Central, o apoio ao peemedebista José Sarney à presidência do Senado e a privatização de bancos estaduais.

As divergências foram tantas que em dezembro de 2003, o diretório nacional do PT expulsou Heloísa Helena, Babá, Genro e Fontes do partido após eles terem votado contra a orientação da legenda na votação de uma reforma da previdência. Na época, os parlamentares receberam apoio de diversos intelectuais de esquerda e de segmentos da militância petista insatisfeitos com o governo. No ano seguinte, o grupo fundou em Brasília o Partido Socialismo e Liberdade, ou PSOL.

Desde então, o partido sempre lançou candidatos a presidente e sua corrida de maior sucesso foi a primeira, em 2006, quando Heloísa Helena ficou em terceiro lugar com 6,85% dos votos. O partido se colocava como uma oposição à esquerda dos governos petistas, mas foi contra o impedimento de Dilma Rousseff e a prisão de Lula. Atualmente, o partido é presidido por Juliano Medeiros. Nas eleições de 2020, o candidato do PSOL à prefeitura de Belém do Pará Edmilson Rodrigues lidera as intenções de voto. Já em São Paulo, o candidato à presidência em 2018, Guilherme Boulos, concorre à prefeitura, com chances de chegar ao segundo turno.


Dados utilizados na matéria: Filiados a partidos (Tribunal Superior Eleitoral); Resultados eleições 2018 (TSE/Cepespdata); Candidatos eleições 2020 (TSE); IGPM (cortesia de Fernando Meireles, pacote deflateBR).

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Créditos da imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado.

Para reproduzir os números citados, o código e os dados podem ser encontrados aqui.

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