Partidos em números: PSL


Gráficos e mapas para entender como o antigo partido do presidente chega nas eleições de 2020
POR FERNANDA NUNES E ANTONIO PILTCHER • 29/10/2020

Nesta edição da série Partidos em Números, falaremos de um partido pequeno que ganhou destaque no cenário nacional nos últimos 2 anos: o Partido Social Liberal, que elegeu o presidente Jair Bolsonaro em 2018.


Eleições 2020

O PSL tem candidatos a prefeito em 712 municípios e apoia candidatos em outras 1266 cidades pelo país. No total, está presente em 1.978 cidades, e a região Nordeste é a de menor concentração de candidatos, o que reflete o padrão de votação nas eleições presidenciais de 2018. O Amapá se destaca na região Norte pelo número alto de municípios com candidatos. No Centro Oeste, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, também há maior presença de candidatos do PSL.

Em 2020, o PSL lidera coligações com 26 dos outros 32 partidos. Partidos como MDB, PODE, PP e PSDB formam a maioria das coligações, enquanto 5 partidos de esquerda (PCB, PCO, PSOL, PSTU e UP) não participam de nenhuma coligação.

A maioria das alianças foi feita com partidos de centro e de direita. O partido formou chapas com 27 partidos, com destaque para o MDB, PP, PSD e DEM. Além disso, nas eleições de 2020, o PSL tem quase o dobro de alianças (1266) do que candidatos próprios (712).

A maior concentração de candidatos a vereador pelo PSL está nas regiões Sul e Sudeste do país. No Centro Oeste, Goiás se destaca por ter mais cidades com candidatos do PSL. Norte e Nordeste têm a menor frequência de candidatos a vereador pelo PSL – em Roraima, apenas na capital Boa Vista.

A maioria dos candidatos do PSL em 2020 é composta por homens (67,36%) e se declara branca (53,63%); uma minoria de 44,94% se declara preta ou parda. Neste ano, mulheres compõem apenas 32,6% do total de candidatos concorrendo pelo partido.


Financiamento

Historicamente, o PSL recebeu pouquíssimos recursos do Fundo Partidário. Vale lembrar que 95% dessa verba é distribuída proporcionalmente às agremiações, de acordo com a representatividade de cada uma no Congresso e 5% são distribuídos igualmente entre os partidos. Entre 2010 e 2014, o PSL tinha poucos nomes no Congresso. A eleição de Jair Bolsonaro em 2018 trouxe grande sucesso nas urnas para o partido, que elegeu a segunda maior bancada da Câmara, com 52 deputados e 4 senadores. Isso explica o enorme salto no valor recebido do Fundo. Em 2020, o PSL recebeu, além do Fundo Partidário, quase 200 milhões de reais do Fundo Eleitoral.


Filiados

É um partido médio em número de filiados e cresceu muito nos últimos anos, mais do que outros partidos de direita no Brasil. Durante a última década, a quantidade de eleitores filiados ao PSL mais do que duplicou: houve um aumento de 158% entre 2010 e 2020 e 80% desde 2016. No gráfico acima, não está incluído o número de filiados em 2020, devido a inconsistências na plataforma de dados do TSE (principalmente nos números de outros partidos).

O PSL, como todos os partidos do país, vinha envelhecendo desde 2010. A partir de 2018, houve um crescimento na proporção das faixas etárias com menos de 45 anos. Isso deve principalmente ao grande aumento no número de filiados após a entrada de Jair Bolsonaro no partido. O partido foi um dos que mais atraiu jovens conservadores nos últimos anos.

O PSL tem uma minoria de mulheres filiadas. A queda na porcentagem de mulheres entre 2018 e 2020 está atrelada ao aumento de 80% no número total de filiados: nesses 2 anos, uma quantidade muito grande de homens se juntou ao PSL, enquanto mulheres também entraram mas em proporção significativamente menor. Isso acabou diminuindo bastante a porcentagem de mulheres filiadas ao partido com um todo. Essa tendência é contrária à maioria dos outros partidos, que veem a diferença em seus números de filiados homens e mulheres diminuir.

De acordo com dados de 2020, o Amapá tem a maior densidade de filiados ao PSL: são 1.506 a cada 100 mil eleitores, seguido pelo Tocantins, com 529. O PSL tem baixa concentração de filiados em estados do Nordeste, mas os dois estados com concentração mais baixa são Pará e Rio Grande do Sul. Vale lembrar que os estados do Sudeste dominam em números absolutos de filiados.


Resultados em 2018

Estados no Sudeste – São Paulo, Rio e Espírito Santo – têm mais presença de deputados estaduais do PSL nas suas legislaturas, formando bancadas consideráveis em alguns desses estados. No Paraná e em Santa Catarina as bancadas também estão entre as maiores do estado. Já os estados do Centro Oeste, Norte e Nordeste elegeram menos deputados do partido, concentrando os estados que, assim como o Distrito Federal, não elegeram representantes do partido.

As regiões Sudeste e Sul elegeram a maior parte dos deputados federais do PSL, com 29 e 10 representantes, respectivamente. Norte e Nordeste têm a menor proporção: em 8 estados dessas regiões, nenhum candidato à Câmara do PSL foi eleito. Em termos proporcionais ao seus números de vagas no Congresso Nacional, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul foram os estados com mais presença do PSL.

O ano de 2018 foi o primeiro em que o PSL teve sucesso na corrida eleitoral para o Senado, com 4 nomes, todos no Sudeste e Centro-Oeste.

2018 foi o ano da sua história em que o PSL mais elegeu governadores, com 3 nomes: Coronel Marcos Rocha em Rondônia, Antonio Denarium no Amapá e Comandante Moisés em Santa Catarina. Destes, apenas Rocha continua em exercício. Denarium se desfiliou do PSL e Moisés está afastado do cargo, pois é alvo de um processo de impedimento.


História

O PSL foi fundado em outubro de 1994 e obteve seu registro no TSE em 1998. Desde a sua fundação, defende em seu programa a não-intervenção do Estado na economia e apoio à iniciativa privada.

O empresário recifense Luciano Caldas Bivar foi seu principal quadro até 2018, quando Jair Bolsonaro (sem partido desde novembro de 2019) se filiou à legenda. Bivar foi presidente da legenda desde seu registro até o presente, com a exceção de licenças para concorrer à Câmara dos Deputados — entre março e outubro de 2018, a presidência foi ocupada por Gustavo Bebianno, que seria Ministro da Secretaria-Geral da Presidência por pouco mais de um mês no início do governo Bolsonaro.

Historicamente, o PSL teve pouca representação no Congresso: Bivar foi o único deputado federal eleito pelo partido em 1998. Em 2002 e 2014, o partido elegeu apenas um nome para a Câmara. Até 2018, não tinha elegido nenhum senador.

Em 2006, o partido lançou Bivar como candidato presidencial, que terminou em último lugar nas eleições, com menos de 1% dos votos. Nas eleições seguintes, de 2010 e 2014, o PSL não lançou nenhum candidato ao cargo mais alto do executivo, mas apoiou a candidatura de Eduardo Campos e Marina Silva, então do Partido Socialista Brasileiro, no pleito de 2014. No segundo turno, o PSL apoiou Aécio Neves (PSDB).

Em 2018, o partido teve a sua maior virada em termos de visibilidade, com a filiação de Bolsonaro, que ganhava destaque no cenário nacional. Nas eleições de 2018, o partido elegeu a segunda maior bancada da Câmara, com 52 nomes, atrás apenas do PT. Esse mesmo ciclo eleitoral foi o primeiro em que o PSL conquistou cadeiras no Senado, representado por 4 senadores.

A ideologia defendida pelo partido também passou por mudanças em anos recentes. Entre 2015 e 2018, abrigou o Livres, uma corrente mais liberal, que defendia inclusive a união homoafetiva e a descriminalização da maconha. Após disputas internas com correntes mais conservadoras e a filiação de Bolsonaro, o Livres se desligou do partido e passou a existir como movimento suprapartidário. O PSL passou, então, a defender pautas sociais mais conservadoras fazendo oposição ao “politicamente correto” e a políticas de inclusão por meio de cotas. No entanto, manteve-se constante na defesa de um Estado pequeno e liberalismo econômico, com ênfase em pautas de segurança nacional e proteção de liberdades individuais. Em novembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro se desfiliou do partido. Após a saída do presidente, o PSL continuou crescendo em número de filiados, e manteve a agenda mais conservadora. Resta saber se o sucesso nas urnas em 2018 se repetirá em 2020, dessa vez sem Bolsonaro.


Dados utilizados na matéria: Filiados a partidos (Tribunal Superior Eleitoral); Resultados eleições 2018 (TSE/Cepespdata); Candidatos eleições 2020 (TSE); IGPM (cortesia de Fernando Meireles, pacote deflateBR).

Contribuiu com dados: Antonio Piltcher.

Créditos da imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado.

Para reproduzir os números citados, o código e os dados podem ser encontrados aqui.

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Fernanda Nunes é repórter e editora do Pindograma.

Antonio Piltcher é cientista de dados do Pindograma.

Partidos em números: PSL

Gráficos e mapas para entender como o antigo partido do presidente chega nas eleições de 2020

POR FERNANDA NUNES E ANTONIO PILTCHER

29/10/2020

Nesta edição da série Partidos em Números, falaremos de um partido pequeno que ganhou destaque no cenário nacional nos últimos 2 anos: o Partido Social Liberal, que elegeu o presidente Jair Bolsonaro em 2018.


Eleições 2020

O PSL tem candidatos a prefeito em 712 municípios e apoia candidatos em outras 1266 cidades pelo país. No total, está presente em 1.978 cidades, e a região Nordeste é a de menor concentração de candidatos, o que reflete o padrão de votação nas eleições presidenciais de 2018. O Amapá se destaca na região Norte pelo número alto de municípios com candidatos. No Centro Oeste, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, também há maior presença de candidatos do PSL.

Em 2020, o PSL lidera coligações com 26 dos outros 32 partidos. Partidos como MDB, PODE, PP e PSDB formam a maioria das coligações, enquanto 5 partidos de esquerda (PCB, PCO, PSOL, PSTU e UP) não participam de nenhuma coligação.

A maioria das alianças foi feita com partidos de centro e de direita. O partido formou chapas com 27 partidos, com destaque para o MDB, PP, PSD e DEM. Além disso, nas eleições de 2020, o PSL tem quase o dobro de alianças (1266) do que candidatos próprios (712).

A maior concentração de candidatos a vereador pelo PSL está nas regiões Sul e Sudeste do país. No Centro Oeste, Goiás se destaca por ter mais cidades com candidatos do PSL. Norte e Nordeste têm a menor frequência de candidatos a vereador pelo PSL – em Roraima, apenas na capital Boa Vista.

A maioria dos candidatos do PSL em 2020 é composta por homens (67,36%) e se declara branca (53,63%); uma minoria de 44,94% se declara preta ou parda. Neste ano, mulheres compõem apenas 32,6% do total de candidatos concorrendo pelo partido.


Financiamento

Historicamente, o PSL recebeu pouquíssimos recursos do Fundo Partidário. Vale lembrar que 95% dessa verba é distribuída proporcionalmente às agremiações, de acordo com a representatividade de cada uma no Congresso e 5% são distribuídos igualmente entre os partidos. Entre 2010 e 2014, o PSL tinha poucos nomes no Congresso. A eleição de Jair Bolsonaro em 2018 trouxe grande sucesso nas urnas para o partido, que elegeu a segunda maior bancada da Câmara, com 52 deputados e 4 senadores. Isso explica o enorme salto no valor recebido do Fundo. Em 2020, o PSL recebeu, além do Fundo Partidário, quase 200 milhões de reais do Fundo Eleitoral.


Filiados

É um partido médio em número de filiados e cresceu muito nos últimos anos, mais do que outros partidos de direita no Brasil. Durante a última década, a quantidade de eleitores filiados ao PSL mais do que duplicou: houve um aumento de 158% entre 2010 e 2020 e 80% desde 2016. No gráfico acima, não está incluído o número de filiados em 2020, devido a inconsistências na plataforma de dados do TSE (principalmente nos números de outros partidos).

O PSL, como todos os partidos do país, vinha envelhecendo desde 2010. A partir de 2018, houve um crescimento na proporção das faixas etárias com menos de 45 anos. Isso deve principalmente ao grande aumento no número de filiados após a entrada de Jair Bolsonaro no partido. O partido foi um dos que mais atraiu jovens conservadores nos últimos anos.

O PSL tem uma minoria de mulheres filiadas. A queda na porcentagem de mulheres entre 2018 e 2020 está atrelada ao aumento de 80% no número total de filiados: nesses 2 anos, uma quantidade muito grande de homens se juntou ao PSL, enquanto mulheres também entraram mas em proporção significativamente menor. Isso acabou diminuindo bastante a porcentagem de mulheres filiadas ao partido com um todo. Essa tendência é contrária à maioria dos outros partidos, que veem a diferença em seus números de filiados homens e mulheres diminuir.

De acordo com dados de 2020, o Amapá tem a maior densidade de filiados ao PSL: são 1.506 a cada 100 mil eleitores, seguido pelo Tocantins, com 529. O PSL tem baixa concentração de filiados em estados do Nordeste, mas os dois estados com concentração mais baixa são Pará e Rio Grande do Sul. Vale lembrar que os estados do Sudeste dominam em números absolutos de filiados.


Resultados em 2018

Estados no Sudeste – São Paulo, Rio e Espírito Santo – têm mais presença de deputados estaduais do PSL nas suas legislaturas, formando bancadas consideráveis em alguns desses estados. No Paraná e em Santa Catarina as bancadas também estão entre as maiores do estado. Já os estados do Centro Oeste, Norte e Nordeste elegeram menos deputados do partido, concentrando os estados que, assim como o Distrito Federal, não elegeram representantes do partido.

As regiões Sudeste e Sul elegeram a maior parte dos deputados federais do PSL, com 29 e 10 representantes, respectivamente. Norte e Nordeste têm a menor proporção: em 8 estados dessas regiões, nenhum candidato à Câmara do PSL foi eleito. Em termos proporcionais ao seus números de vagas no Congresso Nacional, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul foram os estados com mais presença do PSL.

O ano de 2018 foi o primeiro em que o PSL teve sucesso na corrida eleitoral para o Senado, com 4 nomes, todos no Sudeste e Centro-Oeste.

2018 foi o ano da sua história em que o PSL mais elegeu governadores, com 3 nomes: Coronel Marcos Rocha em Rondônia, Antonio Denarium no Amapá e Comandante Moisés em Santa Catarina. Destes, apenas Rocha continua em exercício. Denarium se desfiliou do PSL e Moisés está afastado do cargo, pois é alvo de um processo de impedimento.


História

O PSL foi fundado em outubro de 1994 e obteve seu registro no TSE em 1998. Desde a sua fundação, defende em seu programa a não-intervenção do Estado na economia e apoio à iniciativa privada.

O empresário recifense Luciano Caldas Bivar foi seu principal quadro até 2018, quando Jair Bolsonaro (sem partido desde novembro de 2019) se filiou à legenda. Bivar foi presidente da legenda desde seu registro até o presente, com a exceção de licenças para concorrer à Câmara dos Deputados — entre março e outubro de 2018, a presidência foi ocupada por Gustavo Bebianno, que seria Ministro da Secretaria-Geral da Presidência por pouco mais de um mês no início do governo Bolsonaro.

Historicamente, o PSL teve pouca representação no Congresso: Bivar foi o único deputado federal eleito pelo partido em 1998. Em 2002 e 2014, o partido elegeu apenas um nome para a Câmara. Até 2018, não tinha elegido nenhum senador.

Em 2006, o partido lançou Bivar como candidato presidencial, que terminou em último lugar nas eleições, com menos de 1% dos votos. Nas eleições seguintes, de 2010 e 2014, o PSL não lançou nenhum candidato ao cargo mais alto do executivo, mas apoiou a candidatura de Eduardo Campos e Marina Silva, então do Partido Socialista Brasileiro, no pleito de 2014. No segundo turno, o PSL apoiou Aécio Neves (PSDB).

Em 2018, o partido teve a sua maior virada em termos de visibilidade, com a filiação de Bolsonaro, que ganhava destaque no cenário nacional. Nas eleições de 2018, o partido elegeu a segunda maior bancada da Câmara, com 52 nomes, atrás apenas do PT. Esse mesmo ciclo eleitoral foi o primeiro em que o PSL conquistou cadeiras no Senado, representado por 4 senadores.

A ideologia defendida pelo partido também passou por mudanças em anos recentes. Entre 2015 e 2018, abrigou o Livres, uma corrente mais liberal, que defendia inclusive a união homoafetiva e a descriminalização da maconha. Após disputas internas com correntes mais conservadoras e a filiação de Bolsonaro, o Livres se desligou do partido e passou a existir como movimento suprapartidário. O PSL passou, então, a defender pautas sociais mais conservadoras fazendo oposição ao “politicamente correto” e a políticas de inclusão por meio de cotas. No entanto, manteve-se constante na defesa de um Estado pequeno e liberalismo econômico, com ênfase em pautas de segurança nacional e proteção de liberdades individuais. Em novembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro se desfiliou do partido. Após a saída do presidente, o PSL continuou crescendo em número de filiados, e manteve a agenda mais conservadora. Resta saber se o sucesso nas urnas em 2018 se repetirá em 2020, dessa vez sem Bolsonaro.


Dados utilizados na matéria: Filiados a partidos (Tribunal Superior Eleitoral); Resultados eleições 2018 (TSE/Cepespdata); Candidatos eleições 2020 (TSE); IGPM (cortesia de Fernando Meireles, pacote deflateBR).

Contribuiu com dados: Antonio Piltcher.

Créditos da imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado.

Para reproduzir os números citados, o código e os dados podem ser encontrados aqui.

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